sábado, 31 de dezembro de 2016

Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus - 2017

       1 – Cada novo ano civil se inicia sob o patrocínio de Maria, Mãe de Deus. Renovamos a esperança num mundo em que (re)nasça e cresça a paz e a alegria, a luz e a justiça e a ternura da Virgem Mãe.
       A vida de Jesus é envolvida pela docilidade e delicadeza, pela inclusão e pelo cuidado aos mais frágeis. Como lembra São Pedro, o Senhor Jesus passou fazendo o bem, sem fazer aceção de pessoas. Por certo não será difícil encontrar a doçura, a afetividade, a delicadeza em Maria e em toda a sagrada Família. A entreajuda nas tarefas de casa e nos compromissos sociais, a participação na vida da comunidade, os tempos de festa e de alegria, os momentos de dor, de perda e de luto, as grandes comemorações comunitárias e o ritmo semanal que culmina na reunião familiar, na refeição ritual, na ida à Sinagoga para agradecer a vida, para invocar as bênçãos de Deus para a família, para a aldeia e para o povo, para o trabalho e para os animais, que garantirão parte essencial da alimentação, para recordar a história e a aliança de Deus com o Seu povo e a promessa de novos tempos de prosperidade e de bênção.
       Pelo fruto se vê a árvore. E os frutos que Jesus vive e partilha clarificam e testemunham a vivência na Sua família humana. Em tempos difíceis, sob o domínio do império romano, as famílias e as comunidades apoiam-se mutuamente para sobreviverem. A elevada carga de impostos que têm de pagar às autoridades dificultam a vida mas fortalecem a união. Seguindo a Lei do Senhor, a atenção aos mais pobres, provendo agasalho, alimento e abrigo. Os dias de festa são para todos. Quem pode mais, ajuda quem se encontra em situação periclitante. Os estrangeiros e pedintes são acarinhados, lembrando-se que também foram estrangeiros. Esse auxílio agrada ao Senhor.
        2 – No Principezinho, o narrador inicia a sua história com um desenho: uma jiboia a digerir um elefante. Como os adultos não percebem o desenho, faz um segundo, colocando os contornos do elefante dentro da jiboia. Tinha então seis anos de idade e mostra o desenho 1 e depois o 2 para meter medo, mas para quem vê não passa de um chapéu. Dizem-lhe que deixe de brincar e se dedique à história, à geografia, à matemática e à gramática. Só mais tarde, muito mais tarde, já aviador, perdido no deserto do Saara, alguém, o pequeno Príncipe, percebe espontaneamente o seu desenho: uma jiboia a digerir um elefante! Afinal, as pessoas adultas são esquisitas, andam de um lado para o outro e nem sabem o que procuram!
       «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado…» (Lc 10, 21).
       Só os pequeninos, os pobres, os simples, os humildes de coração compreendem os mistérios de Deus e, quando não compreendem, confiam. Não admira, portanto, que sejam os pastores os primeiros a escutarem a luz e a voz que vem das alturas e a compreenderem que Aquele Menino é uma bênção de Deus dado à humanidade.
       Os pastores são gente simples, pobre, humilde! Aproximam-se rapidamente de Maria e de José, veem o Menino deitado na manjedoura e extravasam de alegria, relatando tudo o que ouviram acerca d'Aquele Menino. Todos ficam maravilhados. Têm o encanto do encontro e a alegria da partilha. Há de ser assim o nosso encontro com Jesus, contando-Lhe a nossa vida e confiando-Lhe os nossos anseios e preocupações, os nossos sonhos e projetos. Em simultâneo, atraiamos outros com o nosso entusiasmo em falar de Jesus, em viver perto de Jesus, em transparecer Jesus. Sempre que isso acontecer connosco, outros hão de escutar e hão de aproximar-se, farão a experiência do encontro e alegrar-se-ão a partilhar a boa Nova de Jesus.
       Sublinha-se, neste episódio, a importância da dimensão missionária. Os pastores escutam os Anjos. Diante de Jesus, Maria e José, dizem as razões da sua alegria. No regresso a suas casas continuam a anunciar Jesus e o que Deus fez a favor de todo o povo.
       3 – «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38) «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva...» (Lc 1, 46-55). As palavras de Maria sublinham a humildade com que acolhe e vive a Sua vocação de Se tornar a Mãe do Salvador. Como sublinhava o então Cardeal Ratzinger / Bento XVI, Maria engrandece o Senhor, não que Deus possa ser engrandecido, mas porque Maria, na Sua humildade e transparência, permite que a grandeza de Deus Se torne manifesta e visível para o mundo. É a Sua missão. Há de ser também a nossa: engrandecermos, com humildade, nas palavras e nos silêncios, nos gestos e nas obras, a presença de Deus, para que Ele, em nós e através de nós, continue a operar maravilhas.
       Maria é a Aurora da Salvação, a Estrela da Manhã, é Mãe de Deus e nossa Mãe, é Mãe da Igreja. É o primeiro sacrário da história, guarda em Si, no Seu ventre e no Seu coração, Aquele que há de ser para todos salvação e luz. É discípula e missionária da alegria, que comunica a Isabel, aquando da visitação, e que presencia no nascimento de Jesus e na visita dos Pastores e, mais tarde, dos Magos vindos do Oriente, vindos de toda a parte. Por vezes as palavras traduzem a alegria, o espanto, a admiração. Os pastores não disfarçam a a alegria deste encontro e têm urgência em comunicar tudo o que ouviram acerca deste Menino. E continuam pelo tempo fora a anunciar as palavras dos Anjos e a agradável surpresa do encontro com a Sagrada Família de Maria, José e Jesus.
       Maria deixa que as palavras saltem do coração, quando se encontra com Isabel. Hoje mantém-se atenta, a escutar com o coração, a meditar nas palavras proferidas pelos pastores. «Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração». Como reiteradamente tem salientado o nosso Bispo, D. António Couto, Maria não apenas escuta mas compõe as palavras e os acontecimentos que lhe chegam ao coração. É uma melodia nova que está a manifestar-Se ao mundo.
       4 – A chegada do Deus-Menino, Deus connosco, Jesus (= Aquele que salva), é a maior das bênçãos para a humanidade tantas vezes perdida em confusões e em conflitos, em que pessoas e povos se afirmam pela força. O primeiro dia do ano é também Dia Mundial da Paz. O Papa Francisco, reconhecendo que vivemos num mundo dilacerado pela violência, pela guerra «aos pedaços», terrorismo, criminalidade, ataques e abusos contra os migrantes e refugiados, tráfico humano, devastação ambiental, desafia: «Sejam a caridade e a não-violência a guiar o modo como nos tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais… Desde o nível local e diário até ao nível da ordem mundial, possa a não-violência tornar-se o estilo caraterístico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas».
       Na primeira leitura, Deus convoca Moisés para comunicar a bênção a todo o povo. Bênção é a mais bela oração que podemos proferir, pois as palavras comprometem a vida. Tornamo-nos fiadores do bem que professamos, pois o bem dito exige o bem a ser feito. "O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz".
       Se, com verdade, invocamos a bênção de Deus para nós, então ficamos comprometidos na partilha dessa bênção. Deus não abençoa sob reservas ou condições, com aceção de pessoas, mas abençoa a humanidade inteira. O Antigo Testamento deixa vir ao de cima este compromisso universal. Deus abençoa Abraão para que nele sejam abençoados os povos de toda a terra. Como recorda o velho Simeão, na apresentação de Jesus no Templo: os «meus olhos viram a Salvação que ofereceste a todos os povos, Luz para se revelar às nações» (Lc 2, 30-32).

       5 – Chegada a plenitude do tempo, Deus dá-nos o Seu Filho muito amado, para nos resgatar do pecado e da morte, das trevas e da escravidão da Lei. Faz-Se lei para nos tornar filhos adotivos, como sublinha São Paulo, e assim também nós, libertos das cadeias da injustiça e do mal, possamos trabalhar por um mundo mais humano e fraterno, mais pacífico e solidário, procurando que todos se sintam em casa, em segurança e alegria, confiantes no futuro e sobretudo confiando nos outros, que acolhemos como presença de Deus.
       Será um bom propósito para iniciar e viver este novo ano. Maria acompanha-nos, estimulando-nos a seguir Jesus, a acolher e amar Jesus, a multiplicarmos a graça que Deus nos dá em abundância, ou, como Ela, tornar-nos de tal modo transparentes que as maravilhas de Deus sejam visíveis em nós e em tudo o que façamos. A oração será o ponto de partida e o ambiente para vivermos, como Maria, ao jeito de Jesus. "Senhor nosso Deus, que, pela virgindade fecunda de Maria Santíssima, destes aos homens a salvação eterna, fazei-nos sentir a intercessão daquela que nos trouxe o Autor da vida, Jesus Cristo, vosso filho".
       Se nos predispomos a rezar, predispomo-nos a satisfazer em palavras e obras a vontade de Deus. Só assim a nossa oração é autêntica. Não pedimos a Deus para cumprir a nossa vontade, pedimos que nos ajude a compreender e a realizar a Sua vontade.
       "Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção, resplandeça sobre nós a luz do seu rosto… Alegrem-se e exultem as nações, porque julgais os povos com justiça... Deus nos dê a sua bênção e chegue o seu temor aos confins da terra" (salmo).

Pe. Manuel Gonçalves



Textos para a Eucaristia (A): Num 6, 22-27; Sl 66 (67); Gal 4, 4-7; Lc 2, 16-21.

São Silvestre I, Papa

       Eleito bispo da Sé Romana no ano 314, governou a Igreja no tempo do imperador Constantino Magno, quando o cisma donatista e a heresia ariana provocavam graves danos ao povo cristão. Morreu em 335 e foi sepultado no cemitério de Priscila, na via Salária.
        Este Papa dos inícios da nossa Igreja era um homem piedoso e santo, mas de personalidade pouco marcada. São Silvestre I apagou-se ao lado de um Imperador culto e ousado como Constantino, o qual, mais que servi-lo, se terá antes servido dele, da sua simplicidade e humanidade, agindo por vezes como verdadeiro Bispo da Igreja, sobretudo no Oriente, onde recebe o nome de Isapóstolo, isto é, igual aos apóstolos.
       E na realidade, nos assuntos externos da Igreja, o Imperador considerava-se acima dos próprios Bispos, o Bispo dos Bispos, com inevitáveis intromissões nos próprios assuntos internos, uma vez que, com a sua mentalidade ainda pagã, não estava capacitado para entender e aceitar um poder espiritual diferente e acima do civil ou político. 
       E talvez São Silvestre, na sua simplicidade, tivesse sido o Papa ideal para a circunstância. Outro Papa mais exigente, mais cioso da sua autoridade, teria irritado a megalomania de Constantino, perdendo a sua proteção. Ainda estava muito viva a lembrança dos horrores por que passara a Igreja no reinado de Diocleciano, e São Silvestre, testemunha dessa perseguição que ameaçou subverter por completo a Igreja, terá preferido agradecer este dom inesperado da proteção imperial e agir com moderação e prudência.
        Constantino terá certamente exorbitado. Mas isso ter-se-á devido ao desejo de manter a paz no Império, ameaçada por dissenções ideológicas da Igreja, como na questão do donatismo que, apesar de já condenado no pontificado anterior, se vê de novo discutido, em 316, por iniciativa sua. 
       Dois anos depois, gerou-se nova agitação doutrinária mais perigosa, com origem na pregação de Ario, sacerdote alexandrino que negava a divindade da segunda Pessoa e, consequentemente, o mistério da Santíssima Trindade. Constantino, inteirado da agitação doutrinária, manda mais uma vez convocar os Bispos do Império para dirimirem a questão. Sabemos pelo Liber Pontificalis, por Eusébio e Santo Atanásio, que o Papa dá o seu acordo, e envia, como representantes seus, Ósio, Bispo de Córdova, acompanhado por dois presbíteros.
       Ele, como dignidade suprema, não se imiscuiria nas disputas, reservando-se a aprovação do veredito final. Além disso, não convinha parecer demasiado submisso ao Imperador. 
       Foi o primeiro Concílio Ecuménico (universal) que reuniu em Niceia, no ano 325, mais de 300 Bispos, com o próprio Imperador a presidir em lugar de honra. Os Padres conciliares não tiveram dificuldade em fazer prevalecer a doutrina recebida dos Apóstolos sobre a divindade de Cristo, proposta energicamente pelo Bispo de Alexandria, Santo Atanásio. A heresia de Ario foi condenada sem hesitação e a ortodoxia trinitária ficou exarada no chamado Símbolo Niceno ou Credo, ratificado por São Silvestre.
       Constantino, satisfeito com a união estabelecida, parte no ano seguinte para as margens do Bósforo onde, em 330, inaugura Constantinopla, a que seria a nova capital do Império, eixo nevrálgico entre o Oriente e o Ocidente, até à sua queda em poder dos turcos otomanos, em 1453.
        Data dessa altura a chamada doação constantiniana, mediante a qual o Imperador entrega à Igreja, na pessoa de São Silvestre, a Domus Faustae, Casa de Fausta, sua esposa, ou palácio imperial de Latrão (residência papal até Leão XI), junto ao qual se ergueria uma grandiosa basílica de cinco naves, dedicada a Cristo Salvador e mais tarde a São João Batista e São João Evangelista (futura e atual catedral episcopal de Roma, São João de Latrão). Mais tarde, doaria igualmente a própria cidade.
       Depois de um longo pontificado, cheio de acontecimentos e transformações profundas na vida da Igreja, morre S. Silvestre I no último dia do ano 335, dia em que a Igreja venera a sua memória. Sepultado no cemitério de Priscila, os seus restos mortais seriam transladados por Paulo I (757-767) para a igreja erguida em sua memória.

ORAÇÃO
        Vinde, Senhor, em auxílio do vosso povo, que confia na intercessão do papa São Silvestre, e conduzi-o ao longo desta vida presente, para que chegue um dia à felicidade da vida que não tem fim. Por Nosso Senhor.

O Verbo Se fez carne e veio habitar no meio de nós

       "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. Veio para o que era seu e os seus não O receberam. Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. João dá testemunho d’Ele, exclamando: «Era deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer" (Jo 1, 1-18).
       O texto do Evangelho que nos é proposto para hoje é o mesmo do dia de Natal, revelando-nos que Jesus Cristo é o Verbo encarnada, a Palavra que Se faz pessoa. A palavra criadora de Deus é também palavra salvadora. É Jesus Cristo que em definitivo nos revela o rosto de Deus. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, é por Ele que vamos ao Pai a Quem jamais alguém viu, o Filho é que O dá a conhecer.
       A grande alegria pelo nascimento de Jesus Cristo, o Deus que Se despoja da Sua grandeza, para comungar a humanidade connosco e de novo nos conduzir pelo caminho da vida, deve motivar-nos a viver cada vez melhor, cada vez em maior sintonia com o Senhor Jesus.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Natal de Jesus Cristo - 2016

       1 – O maior poder não é o que se impõe pela força, mas pelo amor. Não o que se consegue pela supremacia, a partir do exterior, mas o que surge livre a partir do interior. O Natal vem de fora, vem da eternidade, mas não se impõe a partir do exterior ou a partir de cima, mas nasce, enraíza-Se, encarna, torna-Se carne da nossa carne e osso dos nossos ossos, identifica-Se e confunde-Se connosco, entranha-Se no mundo, mistura-Se com a humanidade.
       São João Paulo II desafiava os jovens a serem evangelizadores dos outros jovens, pois ninguém como eles estaria tão preparado para evangelizar os jovens da mesma idade: eles percebem os mesmos códigos linguísticos que, por ventura, escapam aos mais velhos. 
       Para compreendermos os outros precisamos de nos sentir próximos. Precisamos de nos colocar no lugar do outro, mesmo que isso seja impossível, pois o tempo e o espaço não são simultâneos para duas pessoas: ocupam espaços e tempos diferentes, não se sobrepõem. Nunca. Como duas linhas retas em paralelo que nunca se fundem uma na outra. Colocar-se no lugar do outro para o perceber, para sentir o seu sofrimento, as suas inquietações. É um esforço meritório, mas só alcançável por Deus. 
       “Põe-te no meu lugar”. Expressão que apela à compreensão, a sintonizar o ponto de vista do outro para tentar compreender as suas palavras, a sua atitude ou os seus gestos. Ninguém nos pede uma sobreposição ao outro, mas sincronização, aceitação, proximidade.
        Deus faz este “esforço” de aproximação. Ao longo dos tempos. Em Jesus, a aproximação de Deus é total, coloca-Se no nosso lugar, do nosso lado, passa a ver a partir de baixo e de dentro, a partir da fragilidade e da limitação humanas, identifica-Se connosco. É a Sua grandeza: faz-Se pequeno, do nosso tamanho, deixa-Se ver e ao mesmo tempo esconde-Se no meio de nós, confundindo-Se connosco. Deixa-Se perseguir e amar, deixa-Se prender e até matar. Tão grande que tem o poder de Se tornar pequeno. É a Sua fraqueza: amar até morrer, morrer para ressuscitar, para viver, amar sem limites. Deus, por amor, não desiste de nós. Nunca desiste. Nós podemos ignorá-l’O, fazer de conta que não existe e, no entanto, Deus continua do nosso lado, a amar-nos, a atrair-nos para Si. São Paulo, na primeira Carta aos Coríntios (9, 19-23), mostra como se fez tudo para todos, para ganhar alguns para Cristo. Assim faz Deus, faz tudo para nos (re)conquistar para o Seu Reino de Amor. Se deixarmos que Ele nos vença, vencemos nós, e será novamente Natal.
        2 – Visitando as páginas da Sagrada Escritura, nos textos propostos para esta solenidade, a acentuação do abaixamento de Deus que, em Cristo, assume a nossa frágil condição humana, com as suas limitações, com os seus sonhos e projetos, com os seus sofrimentos e desilusões.
       "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam". Este é o mote dado pela Palavra de Deus. Jesus vem ao mundo, pre-existindo-lhe. À Sua frente vem um mensageiro, João Batista, que aponta para a Luz verdadeira, que é o Messias Jesus.
       O Filho de Deus Altíssimo, o Messias, não é de todo um desconhecido! Desde sempre nos conheceu. N’Ele foram criadas todas as coisas e sem Ele nada foi criado. Veio para o meio dos seus. Mas, diz o Evangelho, os seus não O reconheceram. Andavam atarefados com tantas coisas, distraídos, ou cheios de si, com corações de pedra. Quem O reconhece será salvo. A salvação consiste em conhecer Jesus, acolhê-l'O, para O amar e O viver, testemunhando-O, transparecendo-O.
       O profeta Isaías sublinha a beleza, a alegria, a rapidez do mensageiro que anuncia a boa nova da salvação. É tempo de largar as amarras da escravidão, do pecado e da morte. É tempo de júbilo, porque o Senhor está no meio de nós, irrompendo as cadeias das injustiças, restaurando as ruínas de Israel, consolando o Seu povo, "o Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus".
       Deus está agora mais visível. É Pessoa, de carne e osso. Está sujeito à determinação do espaço e do tempo, como cada um de nós. Está ao alcance do nosso olhar e das nossas mãos. Podemos vê-l’O, podemos segui-l’O, podemos matá-l’O. Sabemos onde encontrá-l’O.
        Embrulhado em panos, perto dos animais, é irreconhecível para os distraídos, para os que confundem grandeza com ostentação e poder, para os que esperam um Messias saído de um palácio, nascido num berço de ouro. Ele entranha-Se na história dos homens e na própria natureza.
       3 – Com efeito, "muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo".
       Ele é o Filho Unigénito de Deus, o Seu Eleito, que transborda da eternidade para o tempo, do seio do Pai para a convivência daqueles que assume como irmãos. Para nos redimir. Para nos elevar. Deus nunca esteve longe de quantos O invocam de coração humilhado e contrito. Com Jesus a distância encurta-se, pois Ele próprio, é Deus connosco, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.
       Deus continua a falar-nos e a falar ao mundo. Hoje Deus fala através de nós, de mim e de ti. Somos os mensageiros que correm velozes a anunciar a paz. Por vales e montanhas, por aldeias e cidades, aquém e além-mar. Uma vez convertidos, restabelecidos pela misericórdia do Senhor, cabe-nos hoje, cabe-nos agora, anunciar o Evangelho, levar Jesus a todo o lado, a todos os ambientes. Deus continua a falar. Não fiquemos na praia, de braços cruzados, a ver as gaivotas a pousar, adentremo-nos na história, envolvamo-nos na transformação do mundo em que vivemos. Levemos o melhor de nós – Deus que nos habita –, para que o mundo possa testemunhar o nascimento de Jesus e a certeza de que Ele está vivo, no meio de nós.
       O mandato divino é para todos, é para mim e para ti, é para hoje, pois amanhã é tarde, demasiado tarde. O futuro a Deus pertence. A nós pertence o presente, para sermos o presente de alegria, de amor e de serviço uns para os outros. Ide e anunciai o Natal, a Boa Notícia, a toda a criatura.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (A): Is 52, 7-10; Sl 97 (98); Hebr 1, 1-6; Jo 1, 1-18.

Bendito seja o Senhor, Deus de Israel

Zacarias, pai de João Baptista, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou dizendo:
«Bendito seja o Senhor, Deus de Israel,
que visitou e redimiu o seu povo
e nos deu um salvador poderoso
na casa de David, seu servo.
Assim prometera desde os tempos antigos,
pela boca dos seus santos Profetas,
que nos libertaria dos nossos inimigos
e das mãos de todos os que nos odeiam;
que teria compaixão dos nossos pais,
recordando a sua sagrada aliança
e o juramento que fizera a Abraão, nosso pai:
que nos concederia a graça de O servirmos
um dia sem temor, livres das mãos dos nossos inimigos,
em santidade e justiça, na sua presença,
todos os dias da nossa vida.
E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo,
porque irás à sua frente a preparar os seus caminhos,
para dar a conhecer ao seu povo a salvação,
pela remissão dos pecados;
graças ao coração misericordioso do nosso Deus,
que das alturas nos visita como sol nascente,
para iluminar os que vivem nas trevas e na sombra da morte
e dirigir os nossos passos no caminho da paz» (Lc 1, 67-79).
       É bem conhecido o cântico de louvor de Zacarias, Benedictus, colocado em paralelismo com o cântico de louvor de Nossa Senhora, Magnificat, propostos todos os dias na Liturgia das Horas, um nas Laudes e outro nas Vésperas.
       A propósito, têm alguns traços comuns, o louvor, o reconhecimento do Deus altíssimo, e do feitos realizados a favor do seu povo, a Sua proximidade. Neste cântico, proposto como leitura para a manhã do dia 24 de dezembro, horas antes da celebração festiva do Natal, nascimento de Jesus, sinal e expressão de Deus que vem até nós, é uma oração de louvor, de gratidão, de ação de graças pelas maravilhas que Deus continua a operar, no povo, através de mensageiros concretos, como será o caso do filho de Zacarias, João Batista, que vem para preparar os caminhos do Salvador...
       Preparemo-nos de todo o coração para receber o Messias, Deus que se faz homem!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Quem virá a ser este menino?

       Chegou a altura de Isabel ser mãe e deu à luz um filho. Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe tinha feito tão grande benefício e congratularam-se com ela. Oito dias depois, vieram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. Mas a mãe interveio e disse: «Não, ele vai chamar-se João». Disseram-lhe: «Não há ninguém da tua família que tenha esse nome». Perguntaram então ao pai, por meio de sinais, como queria que o menino se chamasse. O pai pediu uma tábua e escreveu: «O seu nome é João». Todos ficaram admirados. Imediatamente se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua e começou a falar, bendizendo a Deus. Todos os vizinhos se encheram de temor e por toda a região montanhosa da Judeia se divulgaram estes factos. Quantos os ouviam contar guardavam-nos em seu coração e diziam: «Quem virá a ser este menino?» Na verdade, a mão do Senhor estava com ele (Lc 1, 57-66).
       O Percursor do Messias desponta como a voz que clama no deserto. Ainda antes do nascimento já João experimenta a alegria pela vinda do Messias, saltando de alegria no momento em que a voz da saudação de Maria chega aos ouvidos de Isabel.
       O relato do nascimento de João envolve-nos na mesma alegria da proximidade de Jesus Cristo. Hoje, João, amanhã, o Messias de Deus, Jesus Cristo Salvador.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Homenagem do GJT e das Catequistas à D. Evinha

       No dia 17 de dezembro, Festa de Natal da Catequese, o Grupo de Jovens de Tabuaço (GJT) e o grupo de Catequistas prestou uma sentida homenagem à D. Evinha, pelo testemunho da vida e de vivência da fé, de empenhamento e alegria nos diferentes compromissos eclesiais e sociais.
       Nasceu a 10 de fevereiro de 1934, em Pinheiros, e faleceu no dia 30 de setembro de 2016, na Santa Casa da Misericórdia de Tabuaço. Funeral a 1 de outubro, na Igreja Matriz de Pinheiros.
       Poder-se-ia considerar cidadã do mundo. Depois dos primeiros estudos, continuou a sua formação na Escola Diocesana de Formação Social, em Lamego, e no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa; integrou o Ministério do Trabalho e da Solidariedade, comprometendo-se com a vida eclesial, em diferentes partes do mundo, Portugal, Espanha, Brasil, Uruguai, em diferentes zonas do país, de Bragança ao Algarve, dedicando-se na promoção da educação, da cultura, da saúde, no apoio às pessoas mais carenciadas, na catequese, na lógica da Ação Católica Rural, ver, julgar e agir, envolvendo as pessoas, para que fossem agentes e não apenas destinatários.
       Regressada do Brasil, fixando-se definitivamente em terras de Tabuaço, nunca desistiu de se empenhar, participando onde era necessário, na Igreja e na vida social e cultural. Sempre disponível, para mais oração, para mais formação, das crianças aos jovens e aos adultos, aos mais idosos, na catequese, nos grupos de jovens, como ministra extraordinária da comunhão, na vivência do Natal, da Páscoa, a cantar as Boas Festas, a visitar doentes, a dar conselhos com a delicadeza de uma mãe, preparando jovens para o crisma, intervindo nos tempos de formação, escrevendo, partilhando a vida, gastando-se… sempre ligada à vida da Igreja, sempre sintonizada com os sinais dos tempos.
       Como Pároco pude usufruir da sua amizade e dos seus conselhos, da sua ajuda e das suas sugestões. Uma das sugestões, no início no meu ministério sacerdotal: as homilias deveriam terminar sempre de forma positiva, para que fosse autêntico o “assim seja”…
       Que Deus lhe dê o merecido descanso e que o testemunho da sua vida, o empenho alegre, simples e generoso da sua fé e do seu compromisso eclesial, nos ajude ao mesmo compromisso nas nossas famílias e na nossa comunidade.
       Depois da presença no Velório e no Funeral, agora mais esta homenagem, em jeito de agradecimento pelas lições que a D. Evinha a todos deixou, a garra e a vontade de viver, a força e a agilidade para levar mais longe a vivência do Evangelho, num compromisso diário, constante, incentivando todos, sem descriminações, procurando estar onde era mais necessário.

Segue o vídeo, com fotos de D. Evinha. Depois do videoporama, as catequistas e os jovens deixaram o seu testemunho.


Visite o Álbum de fotos dedicado à D. Evinha,

Paróquia de Tabuaço | Festa de Natal | 2016

       A Festa de Natal da Catequese iniciou com a celebração da santa Missa, já com as crianças vestidas de branco. Ocuparam o lugar no presbitério, junto do pároco e dos acólitos. Durante a Eucaristia, a Caminhada do Advento-Natal.
       No final, sem grandes delongas, a intervenção dos mais pequeninos. Seguiram-se outros grupos, finalizando com a intervenção do Grupo de Jovens, integrando os adolescentes do 9.º ano de catequese (os do 10.º já integram o GJT).
       Para conclusão estava reservada a homenagem à D. Evinha, que ao longo dos últimos anos se dedicou por inteiro ao trabalho pastoral na Paróquia de Tabuaço, sempre solícita, empenhada, pronta para mais oração, mais convívio, mais formação, deixando marcas profundas nos jovens e nos adultos, na comunidade. O Grupo de Jovens e as Catequistas prestaram-lhe mais esta merecida homenagem. Foi preparado e passado um vídeo com fotos de várias atividades pastorais, ao longo dos anos. A segunda música do videoporama foi trazida pela D. Evinha para a nossa paróquia.


Fotos disponíveis na Paróquia de Tabuaço no Facebook

domingo, 18 de dezembro de 2016

Tabuaço: Festa de Natal da Catequese - 2016

       Com o aproximar do Natal e com as férias escolares, chega também a Festa de Natal da Catequese paroquial. Sábado, 17 de dezembro de 2016. Depois da novena e do grande dia da Festa da Padroeira, Nossa Senhora da Conceição, atenções para a festa de Natal. Por opção das catequistas, este ano, o espaço escolhido para a festa foi a Igreja Paroquial, facilitando a participação dos paroquianos, sobretudo dos mais idosos que, desta forma, ficaram mais aconchegadas.
       A Festa iniciou com a celebração da santa Missa, já com as crianças vestidas de branco. Ocuparam o lugar no presbitério, junto do pároco e dos acólitos. Durante a Eucaristia, a Caminhada do Advento-Natal. No final, sem grandes delongas, a intervenção dos mais pequeninos. Seguiram-se outros grupos, finalizando com a intervenção do Grupo de Jovens, integrando os adolescentes do 9.º ano de catequese (os do 10.º já integram o GJT).
        Para o final estava reservada a homenagem à D. Evinha, que ao longo dos últimos anos se dedicou por inteiro ao trabalho pastoral na Paróquia de Tabuaço, sempre solícita, empenhada, pronta para mais oração, mais convívio, mais formação, deixando marcas profundas nos jovens e nos adultos, na comunidade. O Grupo de Jovens e as Catequistas prestaram-lhe mais esta merecida homenagem. Foi preparado e passado um vídeo com fotos de várias atividades pastorais, ao longo dos anos. A segunda música do videoporama foi trazida pela D. Evinha para a nossa paróquia.
       Segue-se o vídeo e logo depois algumas fotos desta festa.


Disponibilizamos outras FOTOS na Paróquia de Tabuaço no Facebook.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Domingo IV do Advento - ano A - 18.dezembro.2016

       1 – O sonho comanda a vida. O Sonho é uma constante da vida. Sempre que o homem sonha, o mundo pula e avança (António Gedeão). Deus quer, o homem sonha e a obra nasce (Fernando Pessoa). A vida acaba quando o sonho acaba, quando já não há esperança, nem aquém nem além. Sonhos e projetos, confiança no futuro, promessa de eternidade a iniciar-se na história. A esperança é a última a morrer, faz-nos passar ao outro mar.
       Há pessoas que já há muito deixaram de sonhar. Dizem elas, como desabafo, como desilusão, mas com a réstia de esperança que o que desdizem afinal não se confirme. Para os adeptos de futebol, quando a equipa está a perder, até ao último minuto vivem num misto de realidade e esperança... ainda falta um minuto, alguém vai marcar! A vida é mesmo assim. É claro que muitas pessoas vivem voltadas para o passado e esquecem-se de viver o presente e projetar o futuro. Mas mesmo em situações mais extremas, a saudade do passado é a forma de se manterem vivas, sonhando/esperando que voltem esses tempos. Seria ótimo que a presença do passado as levasse a procurar apreciar e viver novas situações.
       Outros há, que sonham o tempo todo, sempre com ganas de viver, de sugerir, de projetar. Por vezes, colam-se apenas aos sonhos e esquecem-se que os sonhos precisam de ser concretizados no tempo e na história e não apenas projetados na mente. Há sonhos que nunca realizaremos mas que, ainda assim, nos puxam para a frente, para o futuro. Há o sonho de deixar marcas positivas no mundo. Mesmo aqueles que deixam marcas negativas é com o sonho de não serem esquecidos. Sonhamos a dormir e sonhamos acordados. Quando jovens sonhamos mudar o mundo. Quando entrados na idade, sonhamos que outros sonhem em mudar o mundo.
       José teve um sonho. Não foi um sonho qualquer. Foi um sonho para mudar o mundo, a história, a sua e a nossa, a história da humanidade. O sonho de José faz dele uma personagem importante para a história da salvação, Deus entre nós, Deus connosco. Não há que ter medo de sonhar. Os sonhos equilibram a mente, por um lado, e, por outro, ajudam-nos a levantar-nos cada dia com um sorriso.
       2 – José teve um sonho. Outro José, noutro contexto, conhecido como José do Egipto, e antepassado de São José, tornou-se importante à custa dos sonhos que interpretou para o Faraó, ganhando relevância, o que lhe permitiu salvar a sua família e o seu povo da miséria. São José tem um sonho que, do mesmo modo, faz com que se assuma guardião da Família sagrada.
       São Mateus apresenta-nos o nascimento de Jesus, sublinhando o mistério de Deus que age em nós e através de nós. A Virgem Imaculada concebeu por virtude do Espírito Santo. José, tomando consciência da gravidez de Maria, sem que tivesse convivido com Ela, decide repudiá-la em segredo, evitando difamá-la e açambarcando com a responsabilidade. Ao fugir assumia-se por culpado de "desonrar" Maria e impedia que Ela fosse condenada e quem sabe apedrejada.
       Mas os nossos pensamentos nem sempre são os de Deus e as nossas decisões nem sempre são as mais justas, ainda que assim o julguemos. Deus, também aqui, impele a escrever a história de uma maneira nova. Em sonho, Deus envia o Seu Anjo que revela a missão que José há de assumir: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados».
       O sonho altera a decisão de José, que recebe Maria por esposa, tornando-se o protetor da Sagrada Família, dando o nome a Jesus, assegurando que Maria e José terão um lar seguro e confortável para viver.
       3 – O sonho vem de longe e a promessa também. A primeira leitura recorda-nos essa promessa feita ao povo eleito, através do rei Acaz, a quem Isaías desafia a pedir um sinal. Acaz não se sente confortável o suficiente para pedir um sinal ao Senhor, considerando uma tentação ou mesmo uma blasfémia. Quando pedem um sinal a Jesus, Este repreende-os por testarem a Deus, dizendo que é uma geração perversa, que não está atenta aos verdadeiros sinais nem ao tempo novo que está a emergir com a Sua vida.
       Agora, contudo, é o próprio Deus que sanciona o sinal. Isaías, em nome de Deus, diz a Acaz: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».
       São Mateus, ao concluir o relato do sonho de São José, diz claramente que a promessa se cumpre agora. Logo que José desperta do sonho, age em conformidade com as palavras do Anjo do Senhor.
       O sonho é verdadeiramente importante se nos faz acordar e nos leva a agir. Por si mesmo, o sonho é pouco relevante se não tiver consequência, se não conduzir à mudança de vida. Os sonhos, com efeito, não são nem positivos nem negativos, mesmo que pareçam pesadelos. Quando muito fazem sobressair a necessidade da nossa mente ordenar o que pensamos, os conhecimentos que vamos armazenando ao longo da vida, as sensações e emoções que vivemos. Mas, havendo algum sonho a que demos mais importância, que seja para nos ajudar a melhorar a nossa vida e a vida dos irmãos.
       Do mesmo jeito, os sonhos, os projetos, as promessas, sejam um catalisador para nos envolver-nos na transformação positiva do mundo, empenhando-nos em transparecer e testemunhar a misericórdia de Deus, plenizada e encarnada em Jesus Cristo.

       4 – O Apóstolo Paulo, tal como São José, também foi surpreendido por Deus. As suas certezas e convicções são postas em causa com o surgimento de Deus na sua vida. A caminho de Damasco, em busca da verdade, Paulo é "apanhado" por Jesus e de perseguidor passa a seguidor.
       Em mais esta belíssima missiva, aos Romanos, o Apóstolo aponta para Jesus, que nasceu, segundo a carne, da descendência de David mas, segundo o Espírito, foi constituído Filho de Deus. A missão do Apóstolo é transparecer, testemunhar, anunciar Jesus Cristo, levá-l'O a todo o mundo, pregando o Evangelho da santidade, o mesmo é dizer, o Evangelho da caridade.
       A referência primeira, para o apóstolo, e para nós também, é a ressurreição de Jesus Cristo. Ele torna-Se para sempre o nosso Salvador. O Filho de Deus nasceu como um de nós, da nossa carne e dos nossos ossos, para nos ressuscitar para Deus, elevando-nos com Ele para a eternidade.
       A oração de coleta resume bem este mistério da nossa fé: "Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição".
       Pela oração predispomo-nos a acolher o sonho de Deus, o Seu projeto de amor, de vida nova, em que todos nos reconheçamos como irmãos e nos tratemos como tal.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (A): Is 7, 10-14; Sl 23 (24); Rom 1, 1-7; Mt 1, 18-24.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

João era uma lâmpada que ardia e brilhava

       Disse Jesus aos judeus: «Vós mandastes emissários a João Baptista e ele deu testemunho da verdade. Não é de um homem que Eu recebo testemunho, mas digo-vos isto para que sejais salvos. João era uma lâmpada que ardia e brilhava e vós, por um momento, quisestes alegrar-vos com a sua luz. Mas Eu tenho um testemunho maior que o de João, pois as obras que o Pai Me deu para consumar – as obras que Eu realizo – dão testemunho de que o Pai Me enviou» (Jo 5, 33-36).
       Nesta terceira semana do Advento, a figura de João Batista surge com proeminência. Por um lado, o próprio João que envia discípulos para junto de Jesus confirmar em definitivo que Ele é o Messias esperado e prometido. Por outro lado, o testemunho de Jesus acerca de João Batista, garantindo que é como um novo Elias, a voz que clama no deserto, o maior dos nascidos de Mulher.
       Hoje Jesus fala de João como uma lâmpada que ardia e brilhava. É uma belíssima imagem, sabendo-se que uma lâmpada, no meio das trevas, pode fazer toda a diferença. Alguns foram até João e experimentaram, ainda que momentaneamente o brilho da sua luz. Souberam também que João apontava para Jesus.
       Porém, em vez de seguirem os desafios de João perderam-se de novo na escuridão.
       Hoje, Jesus fala do testemunho de João, mas também de um testemunho maior. São as obras que dão testemunho da Sua missão. Para um judeu eram precisas duas pessoas para darem testemunho favorável de alguém. Jesus apresenta-se com o testemunho de João Batista, mas sobretudo com o testemunho das boas obras. Muitas são as vezes que repetimos que de boas intenções está o inferno cheio, defendendo que são as obras que provam o que dizemos. Porém, há que dizer que também as "intenções", as boas, são defensáveis se corresponderem a um propósito firme e convicto, se brotarem do coração, se não forem apenas palavras para agradar. Afinal é na fé e pela fé que somos salvos. Mas as obras mostram até que ponto as nossas intenções e a nossa fé são autênticas.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Paróquia de Tabuaço: Festa da Imaculada Conceição

       A Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Tabuaço, mais uma vez viveu a festa em honra da Sua Padroeira. A comunidade compareceu em força, como é habitual. Sendo a Madrinha dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço, também uma presença sempre significativa dos membros desta Corporação, no transporte e guarda de honra ao Andor, e este ano com o regresso da Fanfarra, tornando ainda mais majestosa a celebração festiva.


       A Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria preenche a igreja, mas sobretudo o coração dos seus fiéis. Referência para Tabuaço, referência para o País, pois Ela é a Rainha e Padroeira de Portugal. Também a Santa Casa da Misericórdia de Tabuaço A tem como Padroeira.
       A Celebração da Eucaristia coroou esta festa, com a contribuição generosa do Grupo Coral de de quantas pessoas quiseram participar ativamente, pessoas e grupos paroquiais, que ajudam na celebração, preparam o espaço, zelam para que tudo esteja acolhedor para quem vem. Seguiu-se a Procissão, por algumas das ruas da Vila e Paróquia de Tabuaço, com a participação habitual da Banda de Música de Sendim. Na ordenação do trânsito e prestando guarda de honra a Guarda Nacional Republicana de Tabuaço, a quem agradecemos na pessoa do seu Comandante, a disponibilidade neste e em tantos dias ao longo de todo o ano.
        A pregação esteve a cargo do Pe. Joaquim Proença Dionísio, Reitor do Seminário Maior de Lamego e Diretor da Voz de Lamego, Jornal Diocesano, sublinhando, na homilia, o COLO de Maria, que da parte de Deus, nos acolhe, nos protege e nos aproxima de Deus.
        Ao longo de nove dias - NOVENA -, o Pe. Joaquim fez-nos caminhar com Nossa Senhora, como testemunha de fé, como exemplo do seguimento de Jesus e da vontade do Pai, como discípula e missionária, mostrando a Misericórdia de Deus, sintonizando-nos na confiança a Deus.
       Pode encontrar os resumos de cada dia nas seguintes hiperligações: