quinta-feira, 30 de junho de 2016

Festa de São João Batista - Padroeiro do Município

       O Município de Tabuaço tem como Padroeiro São João Batista, que se celebra a 24 de junho. Também os concelhos limítrofes, São João da Pesqueira, Armamar, Moimenta da Beira, têm São João como Padroeiro, sendo o dia feriado Municipal.
       A paróquia acolhedora é a da Vila de Tabuaço, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Além da festa mais popular, a festa passa também pela dimensão religiosa, com a celebração da Santa Missa e da Procissão, com as imagens dos Padroeiros das Paróquias que constituem esta Zona Pastoral / Concelho de Tabuaço, bem como os padroeiros de alguns lugares anexos das paróquias.
       Além o Pároco, a presença amiga dos reverendos Padres Ildo e Luís António. O primeiro, pároco de Arcos e de Chavães; o segundo, pároco de Sendim, Granjinha e Paradela. Como Pregador, o reverendo Pe. António Jorge Giroto, Pároco de Leomil, Alvite e Sever, na Zona Pastoral de Moimenta da Beira.
        No decorrer da Eucaristia, no momento da homilia, o Pe. Giroto sublinhou a necessidade de viver a alegria que nos vem da fé, alegria interior, porque salvos em Jesus Cristo, e a alegria que se extreoriza na festa e no convívio. João Batista experimenta a alegria do encontro com Jesus ainda no ventre materno. Como João Batista, cada um de nós deve apontar para Jesus. A propósito uma pequena estória. Quando Jesus era aclamado na entrada triunfal na cidade de Jerusalém, o burro inclinou a cabeça em atitude de agradecimento, pensando que as palmas e os louvores eram para ele. Risco que podemos correr, quando não apontamos para Jesus. Apontamos Deus aos outros, e apontamo-l'O também para nós.
       Algumas fotos da celebração da Santa Missa e da Procissão:

Para visualizar outras fotos visite a Paróquia de Tabuaço no Facebook

Primeiros santos mártires da Igreja de Roma

Nota biográfica:
       Na primeira perseguição contra a Igreja, desencadeada pelo imperador Nero, depois do incêndio da cidade de Roma no ano 64, muitos cristãos foram martirizados com atrozes tormentos. Este facto é atestado pelo escritor pagão Tácito (Annales 15, 44) e por S. Clemente, bispo de Roma, na sua Epístola aos Coríntios (cap. 5-6).
     Ontem celebrávamos o martírio de São Pedro e de São Paulo, Apóstolos, cuja importância e visibilidade os coloca como como testemunhas e modelos para a Igreja de Roma e, consequentemente, para toda a Igreja. Pedro e Paulo foram mortos nesta perseguição de Nero aos cristãos romanos. Mas além deles, mais conhecidos, muitos outros cristãos, só porque o eram, forma mortos.


Oração de coleta:
       Senhor nosso Deus, que consagrastes pelo sangue dos mártires os grandiosos princípios da Igreja de Roma, fazei que a sua coragem no combate nos alcance uma força invencível e a alegria da vitória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Epístola de São Clemente, papa, aos Coríntios

Sendo vítimas de fanatismo iníquo, deram-nos um magnífico exemplo de fidelidade
Deixemos os exemplos dos antigos e falemos dos nossos atletas mais recentes; apresentemos os exemplos generosos do nosso tempo. Vítimas do fanatismo e da inveja, os que eram as maiores e mais santas colunas da Igreja sofreram perseguição e tiveram de combater até à morte.
Ponhamos diante dos nossos olhos os bons Apóstolos. Por causa dum fanatismo iníquo, Pedro teve de suportar duros tormentos, não uma ou duas vezes, mas muitas; e, depois de sofrer o martírio, passou para o lugar que lhe era devido na glória. O mesmo fanatismo e rivalidade deu a Paulo ocasião para alcançar o prémio da paciência: sete vezes lançado na prisão, exilado e apedrejado, tornou-se o pregoeiro da palavra no Oriente e no Ocidente e conseguiu uma extraordinária fama com a sua fé. Depois de ensinar ao mundo inteiro o caminho da justiça e de chegar até aos confins do Ocidente, sofreu o martírio que lhe infligiram as autoridades e partiu deste mundo para o lugar santo, deixando-nos um exemplo perfeito de paciência.
A estes homens, mestres de vida santa, juntou-se uma grande multidão de eleitos, que, vítimas de ódio iníquo, sofreram muitos suplícios e tormentos, e assim se converteram para nós num magnífico exemplo de fidelidade. Vítimas do mesmo ódio, sofreram perseguição muitas mulheres, como Danaides e Dirces, que, suportando graves e horríveis suplícios, correram até ao fim a árdua carreira da fé e, sendo fracas de corpo, receberam o nobre prémio do triunfo. O fanatismo dos perseguidores separou esposas dos maridos, alterando o que disse nosso pai Adão: É osso dos meus ossos e carne da minha carne. O fanatismo e a rivalidade destruíram grandes cidades e fizeram desaparecer numerosas povoações.
Escrevemo-vos isto, caríssimos, não só para vos recordar os deveres que tendes, mas também para nos incitarmos a nós próprios. Encontramo-nos na mesma arena e combatemos o mesmo combate. Deixemos portanto as preocupações inúteis e vãs, e voltemo-nos para a norma gloriosa e venerável da nossa tradição, para compreendermos o que é belo, o que é bom, o que é agradável ao nosso Criador. Fixemos atentamente o nosso olhar no Sangue de Cristo e reconheçamos como é precioso perante Deus o seu Sangue, que, tendo sido derramado pela nossa salvação, alcançou para o mundo inteiro a graça da conversão.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Martírio de São Pedro e São Paulo, Apóstolos

Nota biográfica:
       Desde o século III que a Igreja une na mesma solenidade os Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, as duas grandes colunas da Igreja. Pedro, pescador da Galileia, irmão de André, foi escolhido por Jesus Cristo como chefe dos Doze Apóstolos, constituído por Ele como pedra fundamental da Sua Igreja e Cabeça do Corpo Místico. Foi o primeiro representante de Jesus sobre a terra.
       São Paulo, nascido em Tarso, na Cilícia, duma família judaica, não pertenceu ao número daqueles que, desde o princípio, conviveram com Jesus. Perseguidor dos cristãos, converte-se, pelo ano 36, a caminho de Damasco, tornando-se, desde então, Apóstolo apaixonado de Cristo. Ao longo de 30 anos, anunciará o Senhor Jesus, fundando numerosas Igrejas e consolidando na fé, com as suas Cartas, as jovens cristandades. Foi o promotor da expansão missionária, abrindo a Igreja às dimensões do mundo.
       Figuras muito diferentes pelo temperamento e pela cultura, viveram, contudo, sempre irmanados pela mesma fé e pelo mesmo amor a Cristo. São Pedro, na sua maravilhosa profissão de fé, exclamava: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». E, no seu amor pelo Mestre, dizia: «Senhor, Tu sabes que eu Te amo». S. Paulo, por seu lado, afirmava: «Eu sei em quem creio», ao mesmo tempo que exprimia assim o seu amor: «A minha vida é Cristo»!
       Depois de ambos terem suportado toda a espécie de perseguições, foram martirizados em Roma, durante a perseguição de Nero. Regando, com o seu sangue, no mesmo terreno, «plantaram» a Igreja de Deus.
       Após 2000 anos, continuam a ser «nossos pais na fé». Honrando a sua memória, celebremos o mistério da Igreja fundada sobre os Apóstolos e peçamos, por sua intercessão, perfeita fidelidade ao ensinamento apostólico.

Oração:
       Senhor, que nos encheis de santa alegria na solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja que se mantenha sempre fiel à doutrina daqueles que foram o fundamento da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo...

Fonte: Secretariado Nacional da Liturgia. Pode também revisitar Escolhas e Percursos, onde se apresentam pequenos textos sobre São Paulo e São Pedro. Neste blogue, pode aceder aos textos relacionados com São Paulo, aqui, e aos textos relacionados com São Pedro, aqui!

terça-feira, 28 de junho de 2016

Solenidade de São Pedro e São Paulo - 29 de junho

       1 – Pedro e Paulo: dois rostos bem conhecidos do cristianismo, no início da Igreja e na atualidade, ensinando-nos HOJE a necessidade de conversão – permanente – a Jesus Cristo, respeitando contextos, pessoas e culturas. O ambiente em que nascem e se convertem é distinto, como o tempo em que acontece; diferentes estilos e temperamentos, e a missão de cada um.
       O essencial é comum: confronto com Jesus Cristo, diante do Qual colocam a própria vida para se aproximarem d'Ele e do Seu projeto de amor e de vida nova; conversão; fidelidade ao Evangelho, de tal forma que há de prevalecer o mandato de Cristo e não as sensibilidades pessoais; inculturação do Evangelho, respeitando as culturas onde anunciam Jesus Cristo. Um e outro dão a vida pela causa do Evangelho, sofrendo a perseguição, a calúnia, a prisão e a morte.
       Cedo a Igreja começou a celebrar conjuntamente o martírio dos dois apóstolos, na cidade eterna, Roma, que se torna, também por isso, a referência para as outras Igrejas, pois é sustentada pelo seu sangue. O chão de Roma foi coberto e encobriu o sangue de muitos mártires. Pedro e Paulo visualizam o sacrifício de muitos cristãos, que, como eles, na vida e na morte, anunciaram Jesus Cristo.
       2 – São Pedro é um dos apóstolos da primeira hora. André e o discípulo amado seguem Jesus, depois de João Batista os desafiar a seguirem o Messias. Pergunta-lhes Jesus: "Que procurais?". Eles respondem com outra pergunta: "Rabi, onde moras?" Jesus convida-os a ir e ver com os próprios olhos Quem é o Messias, a Sua identidade, a Sua missão, onde habita, ou Quem O habita. Logo depois, André foi ter com o seu irmão Simão Pedro dizendo-lhe que encontraram o Messias (cf. Jo 1,35-42). Desde então e até ser martirizado, Pedro não mais se afasta de Jesus, a não ser no momento do julgamento e morte, cujo medo o paralisa e o leva a negar o Mestre.
       Pedro é um dos apóstolos mais genuínos. Tem o coração ao pé da boca. Diz o que lhe dá na real gana, merecendo o reparo de Jesus. Está sempre pronto. O que diz nem sempre tem a devida correspondência nas atitudes. A sua espontaneidade traz-lhe alguns dissabores, facilmente se espalha. Gera simpatia, ainda que com muita ingenuidade. É um homem de ação, de trabalho. Confia nas pessoas. Não necessita de muito para lançar as redes ao mar, mesmo sendo um pescador experiente e sabendo que a pesca já se tinha concluído naquele dia; lança-se ao encontro de Jesus, ainda os barcos não estão em terra firme. Caminha sobre as águas, mas logo se afunda, pois a sua fé é transparente, mas não muito firme. É impulsivo. Reage por tudo e por nada. Fere um dos guardas que prendem Jesus. E mais um reparo do Mestre. Jesus anuncia que vai ser morto e logo se dispõe a defendê-lo com a própria vida. Depois, na hora mais difícil, vacilará.
       Quando advêm as dificuldades, com a mesma facilidade com que confessa Jesus, também O nega e se afasta dos perigos. Terá de ser temperado pela experiência, pela luz da fé, revendo a sua própria vida e as suas escolhas, para que seja efetivo o amor a Jesus, procurando segui-l'O de perto (cf. Jo 21, 15-19).

       3 – O Evangelho traz-nos a primeira Profissão de Fé do Apóstolo sobre quem Jesus sustentará a Sua Igreja. Não é uma confissão de fé da antiguidade cristã, é atual, há de ser a afirmação da nossa fé em Cristo Jesus. Pedro não responde apenas em nome pessoal, responde em nome dos Doze, em nome da comunidade. E hoje? Hoje a pergunta bate-nos diretamente. Não podemos assobiar para o lado como se não fosse nada connosco.
       Num primeiro momento, Jesus pergunta sobre o que se ouve acerca d'Ele. Ambienta a pergunta seguinte: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Que importância tenho na vossa vida? De que forma se alteram as vossas escolhas por serdes meus discípulos?
       O que dizem os outros pode ajudar a compreender e até a procurar novas respostas. Mas não chega. É necessário o encontro com Ele e uma resposta pessoal, ainda que voltada para a comunidade.
       Pedro, sem hesitações, responde, também em nosso nome: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Veremos, por vários incidentes, que a firmeza de Pedro não é definitiva, ele terá que corrigir algumas vezes a ligação a Jesus Cristo. Em todo o caso, Jesus aposta nele, com as suas limitações e com as suas possibilidades. Deus não chama santos. Deus chama pessoas, de carne e osso, que podem e devem tornar-se santos, isto é, fazer com que as suas vidas valham a pena.
«Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».
Curiosamente, logo à frente Jesus repreenderá Pedro por se ocupar mais dos próprios interesses do que da vontade de Deus. Como não nos revermos na vida de Pedro?! Como ele, estamos a caminho, umas vezes hesitando, outras vezes, e na prática, negando conhecer Jesus, outras tantas, procurando identificar-nos com o Seu amor.
       4 – São Paulo é um apóstolo mais tardio, não faz parte do grupo dos Doze, nem sequer está entre os discípulos que acompanham Jesus na Sua vida terrena, nem tampouco é discípulo dos apóstolos. Inicialmente é perseguidor de cristãos.
       Na primeira leitura, podemos constatar como os discípulos e a Igreja se submetem à perseguição e à prisão. Pedro é um dos que vai parar à prisão. A figura de Paulo surge a primeira vez no julgamento e morte de Estêvão, que ele testemunha e aprova (cf. Atos 8, 1-3).
       A conversão não é igual para todos e poderá ocorrer em diferentes idades. Enquanto vivermos, estamos sempre a tempo de nos convertermos a Jesus Cristo. Pedro vai amadurecendo perto de Jesus. Paulo vai amadurecendo, na procura da verdade, longe de Jesus. Melhor, perto de Jesus, mas em sinal contrário, perseguindo-O nos seus discípulos. Quando se dá a conversão, que nos é apresentada como espontânea e repentina (cf. Atos 22, 3-16), vê-se como Paulo está perto de Jesus. Jesus responde-lhe: Eu sou Aquele a Quem tu persegues. A perseguição de Paulo leva-o a encontrar-se com o Perseguido. Num sentido positivo, devemos ter o mesmo cuidado em (per)seguir Jesus, para que nos alcance o coração, por inteiro, como aconteceu com Paulo.
       Zelo na perseguição, zelo na pregação. A partir de Damasco, nunca mais descansará, oportuna e inoportunamente pregará Cristo, indo sempre mais à frente, mais longe, onde humanamente lhe é possível. Inverte completamente a lógica anterior, tornando-se, como Cristo, perseguido, em diversas ocasiões. Não desiste. Nem a espada, nem a morte, o hão de separar do amor de Deus que quer que todos conheçam.

       5 – Na segunda leitura, vemos como o Apóstolo da Palavra confessa uma vida dedicada à causa do Evangelho, procurando em tudo a glória de Deus:
«Eu já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia; e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda. O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todos os pagãos a ouvissem; e eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste. Glória a Ele pelos séculos dos séculos».
       No final, o Apóstolo tem consciência que gastou a sua vida para viver e testemunhar Jesus Cristo. Por isso nada teme. Confia. Na vida como na morte, conta com o amor de Deus.
       6 – Que mais nos poderão dizer Pedro e Paulo? Como cristãos, sendo diferentes uns dos outros, na idade, na sensibilidade, na formação, todos podemos ser santos, discípulos e apóstolos. Todos temos algo a dar, se antes recebermos Jesus, acolhendo-O também nos outros.
       A determinada altura houve uma discussão entre os dois, sobretudo na forma como o cristianismo deveria expandir-se, levando as tradições judaicas, ou criando novas formas de vivência. O testemunho, o diálogo, e até o confronto entre as duas sensibilidades, mostra a profundidade da fé e o valor da oração. Prevalece a Palavra de Deus. Prevalece o Evangelho. Prevalece Jesus Cristo.
       O ponto de partida pode ter sido diferente. Pedro de início, Paulo já depois da morte e ressurreição de Jesus. A missão de cada um foi diversa. Pedro primeiramente junto dos judeus. Paulo sobretudo junto dos pagãos. No final, os dois apóstolos dão a vida por Jesus. Por inteiro.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia: Atos 12, 1-11; Sl 33; 2 Tim 4, 6-8. 17-18; Mt 16, 13-19.

Reflexão dominical na página da Paróquia de Tabuaço.
(REPOSIÇÃO)

Salva-nos, Senhor, que estamos perdidos

       Jesus subiu para o barco e os discípulos acompanharam-n’O. Entretanto, levantou-se no mar tão grande tormenta que as ondas cobriam o barco. Jesus dormia. Aproximaram-se os discípulos e acordaram-n’O, dizendo: «Salva-nos, Senhor, que estamos perdidos». Disse-lhes Jesus: «Porque temeis, homens de pouca fé?». Então levantou-Se, falou imperiosamente ao vento e ao mar e fez-se grande bonança. Os homens ficaram admirados e disseram: «Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?» (Mt 8, 23-27).
       Um momento de provação. Jesus chama os seus discípulos para uma aventura extraordinária de descoberta, de encontro, de abertura aos outros e ao Totalmente Outro, ou numa expressão muito feliz, ao Totalmente Próximo. Desafia os limites, convida à utopia, trabalha a mente e o coração daqueles que chama, para no final os enviar ao mundo inteiro, destemidos, confiantes, a anunciar/testemunhar a Boa Notícia da salvação. É um sonho. É mistério. Entra na grandeza e na beleza de Deus. Porquanto é tempo de tornar mais firme o seguimento e a fé.
       Jesus vai para a outra margem. Para a nossa margem. Caminha. Leva-nos conSigo. Vamos com Ele no barco. Quando vêm as ondas, o mar revolto, julgamos que Deus está a dormir. Não nos ouve. Já tem muito com que se preocupar. Ou, então, não mereço que Ele escute as minhas preces. No entanto, Jesus vai no barco. Deus caminha connosco.
        Há momentos em que não nos resta muito. Não sabemos o que fazer. Parece que tudo corre mal. É uma tempestade enorme a acontecer na nossa vida. Nessa hora, entreguemo-nos confiantes ao Senhor. Não nos acanhemos a pedir e como discípulos supliquemos-Lhe: «Salva-nos, Senhor, que estamos perdidos». E quase sem nos darmos por isso as águas caudalosas começarão a obedecer-lhe e o nosso coração a ganhar a serenidade para enfrentar outras tormentas.
       Não cessemos de rezar. Deus há de atender-nos. Estejamos atentos. Coloquemo-nos à escuta. Deixemos que Ele grite em nós o Seu amor. Ainda que seja fraca a nossa fé, não tememos que Ele está connosco. E se Ele está connosco, como há de ser grande, a transbordar, a nossa alegria e confiança, e a nossa vontade de viver a vida como dom, como tarefa, como entrega, transformando o sonho de Deus em vivência quotidiana.

Santo Ireneu, Bispo e Mártir

Nota biográfica:
       Nasceu cerca do ano 130 e foi educado em Esmirna. Foi discípulo de S. Policarpo, bispo desta cidade. No ano 177 era presbítero em Lião (França) e pouco tempo depois foi nomeado bispo da mesma cidade. Escreveu várias obras para defender a fé católica contra os erros dos gnósticos. Segundo a tradição, recebeu a palma do martírio cerca do ano 200.

Oração (de colecta):
       Senhor, que concedestes ao bispo Santo Ireneu o dom de proclamar com firmeza a verdadeira doutrina e de fortalecer a paz na Igreja, por sua intercessão renovai-nos na fé e na caridade, para trabalharmos sem descanso pela união e concórdia entre os homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo...

Palavras de Santo Ireneu:

A glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem é a visão de Deus.
Participam da vida os que veem a Deus, porque é o esplendor de Deus que dá a vida. Por isso, Aquele que é inacessível, incompreensível e invisível, torna-Se visível, compreensível e acessível para os homens, a fim de dar vida aos que O alcançam e veem. Porque é impossível viver sem a vida; e não há vida sem a participação de Deus, participação que consiste em ver a Deus e gozar da sua bondade.
Portanto, os homens hão de ver a Deus para poderem viver; por esta visão tornam-se imortais e chegam até à posse de Deus. Isto foi anunciado pelos Profetas, de modo figurado, como disse há pouco: Deus será visto pelos homens que possuem o seu Espírito e aguardam sempre a vinda do Senhor. Assim diz também Moisés no Deuteronómio: Nesse dia veremos, porque Deus falará ao homem e o homem viverá.
Deus, que realiza tudo em todos, é invisível e indescritível, quanto ao seu poder e à sua grandeza, para os seres por Ele criados. Mas não é desconhecido, porque todos sabemos, por meio do seu Verbo, que há um só Deus Pai que abrange todas as coisas e a tudo dá existência, como está escrito no Evangelho: Ninguém jamais viu a Deus; o Filho Unigénito que está no seio do Pai no-l’O deu a conhecer.
Quem desde o princípio nos dá a conhecer o Pai é o Filho, porque desde o princípio está com o Pai: as visões proféticas, a diversidade de graças, os ministérios, a glorificação do Pai, tudo isto, como uma sinfonia bem composta e harmoniosa, Ele o manifestou aos homens, no tempo próprio, para seu proveito. Porque onde há composição há harmonia; onde há harmonia tudo sucede no tempo próprio; e quando tudo sucede no tempo próprio, há proveito.
Por isso o Verbo tornou-Se o administrador da graça do Pai, para proveito dos homens, em favor dos quais Ele pôs em prática a sua tão sublime economia da graça, mostrando Deus aos homens e apresentando o homem a Deus. Manteve, no entanto, a invisibilidade do Pai, para que o homem se conserve sempre reverente para com Deus e tenha um estímulo para o qual deve progredir; mas, ao mesmo tempo, mostrou também que Deus é visível aos homens por meio da economia da graça, para não suceder que o homem, privado totalmente de Deus, chegasse a perder a sua própria existência. Porque a glória de Deus é o homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus. Com efeito, se a manifestação de Deus, através da criação, dá a vida a todos os seres da terra, muito mais a manifestação do Pai, por meio do Verbo, dá vida a todos os que veem a Deus.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

São Cirilo de Alexandria, Bispo e Doutor da Igreja

       "Cirilo nasceu no ano de 370, no Egipto. Era sobrinho de Teófilo, bispo de Alexandria, e substituiu o tio na importante diocese do Oriente de 412 até 444, quando faleceu aos setenta e quatro anos de idade.
       Foram trinta e dois anos de episcopado, durante os quais exerceu forte liderança na Igreja, devido à rara associação de um acurado e profundo conhecimento teológico e de uma humildade e simplicidade próprias do pastor de almas. Deixou muitos escritos e firmou a posição da Igreja no Oriente. Primeiro, resolveu o problema com os judeus que habitavam a cidade: ou deixavam de atacar a religião católica ou deviam mudar-se da cidade. Depois, foi fechando as igrejas onde não se professava o verdadeiro cristianismo.
       Mas sua grande obra foi mesmo a defesa do dogma de Maria, como a Mãe de Deus. Ele se opôs e combateu Nestório, patriarca de Constantinopla, que professava ser Maria apenas a mãe do homem Jesus e não de Um que é Deus, da Santíssima Trindade, como está no Evangelho. Por esse erro de pregação, Cirilo escreveu ao papa Celestino, o qual organizou vários sínodos e concílios, onde o tema foi exaustivamente discutido. Em todos, esse papa se fez representar por Cirilo.
       O mais importante deles talvez tenha sido o Concilio de Éfeso, em 431, no qual se concluiu o assunto com a condenação dos erros de Nestório e a proclamação da maternidade divina de Nossa Senhora. Além, é claro, de considerar hereges os bispos que não aceitavam a santidade de Maria.
       Logo em seguida, todos eles, ainda liderados por Nestório, que continuaram pregando a tal heresia, foram excomungados. Contudo as ideias "nestorianas" ainda tiveram seguidores, até pouco tempo atrás, no Oriente. Somente nos tempos modernos elas deixaram de existir e todos acabaram voltando para o seio da Igreja Católica e para os braços de sua eterna rainha: Maria, a Santíssima Mãe de Deus.
       Venerado na mesma data por toda a Igreja Católica, do Oriente e do Ocidente, são Cirilo de Alexandria, célebre Padre da Igreja, bispo e confessor, recebeu o título de doutor da Igreja treze séculos após sua morte, durante o pontificado do papa Leão XIII".

Oração de coleta:
        Senhor nosso Deus, que fizestes do bispo São Cirilo de Alexandria um invencível defensor da maternidade divina da bem-aventurada Virgem Maria, concedei ao vosso povo, que a proclama verdadeira Mãe de Deus, a graça de ser salvo pela Encarnação do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

sábado, 25 de junho de 2016

XIII Domingo do Tempo Comum - ano C - 26 de junho

       1 – Seguir Jesus é a vocação primeira do cristão. Não por capricho. Não para quando dá jeito. Não para ser socialmente beneficiado. Não para ter estatuto, sabendo que também hoje, como ontem, o cristão é olhado com desconfiança, murmurando-se sobre os seus propósitos e seriedade, sobre a sua coerência e seu compromisso com a justiça e com a verdade.
       É uma resposta ao chamamento de Deus. É um encontro com Jesus, crucificado-ressuscitado. É uma opção para sempre, para todas as ocasiões. Não há meio-termo. Ou se é discípulo ou é-se outra coisa qualquer. Ou se é apóstolo ou apóstata. Há uma luz que brilha dentro, a partir do interior, que nos transforma e que, como por osmose, atrai os outros. Como bem sublinhou o Papa Bento XVI sobre o cristianismo e a transmissão da fé, esta far-se-á por atração e não por proselitismo ou imposição.
       Obviamente que há um caminho a fazer-se, conscientes que Ele segue connosco, amparando-nos na fragilidade, dando-nos a mão na queda, levantando-nos, desafiando-nos a continuar. Para chegarmos a ser o que somos pelo batismo, precisamos de tempo, de todo o tempo que tem a nossa vida, não estando isentos de tropeçar, reconhecendo, porém, que maior que o nosso pecado é a Sua misericórdia infinita.
       Seguir Jesus implica-nos por inteiro, corpo e espírito. Independentemente das circunstâncias mais favoráveis ou mais adversas. Por vezes apetece ficar por casa a ver a bola ou a novela. Porque está muito frio. Porque está muito calor. Porque chegou uma visita! Seguir Jesus não dá direito a folgas nem a descanso nem a férias nem a reservas. Ser cristão é colocar no seguimento tudo o que somos: as nossas dúvidas, incertezas, os nossos projetos, os nossos fracassos, as nossas lutas e conquistas, o melhor de nós mesmos. Não somos cristãos de parêntesis. Havendo momentos em que somos cristãos e momentos em que deixamos de o ser por nos ser conveniente. Colocar a nossa fé num parêntesis, uma hora ao sábado ou ao domingo ou numa ocasião festiva. E depois vivemos como nos dá na real gana. Não dá para ser cristão dentro Igreja e não o ser ao sair da Igreja.
       Ser cristão é seguir Jesus Cristo e deixar que Ele vá connosco para onde formos e onde estivermos. Se errarmos, pecando, Ele é e continuará a ser o nosso primeiro e maior amigo. Julgar-nos-á com a Sua misericórdia, para nos ressuscitar.
       2 – Jesus vai mostrando as condições do seguimento e do discipulado. Como a mulher pecadora, reconhecer as próprias fragilidades, colocar-se aos pés de Jesus (como depois Maria, irmão de Marta e de Lázaro), para O escutar, para O conhecer, para sentir o Seu Coração a pulsar. Renunciar a Si próprio, nas variantes de egoísmo, tomar a própria cruz, com as suas sombras e luzes, e estar disposto a perder a própria vida para ganhar a vida em Jesus Cristo, aqui e para a eternidade.
       Hoje, no evangelho, Jesus deixa claro, para o caso de ainda existirem dúvidas, que o seguimento faz-se de docilidade e de firmeza. Docilidade quanto se trata de comunicar aos outros a fé em Jesus Cristo. De firmeza quando Jesus nos bate à porta.
       Depois de lhes ter dito que o Filho do Homem vai ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas, e será morto, para três dias depois ressuscitar, preparando-os para o que lá vem, Jesus decide prosseguir em direção a Jerusalém. Envia alguns mensageiros à sua frente à procura de hospedagem. Mas como outrora aconteceu em Belém, também agora não encontram quem os hospede. Sublinha o evangelista que também eles iam a caminho de Jerusalém. João e Tiago reagem intempestivamente: «Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua?» Como é possível que alguém se recuse a acolher Jesus? Ou acolhem-n'O ou que Deus os castigue! A reprimenda de Jesus a João e a Tiago – tal como a Pedro: Vai-te da minha frente, Satanás –, é clarificadora. Não é com violência que se responde às contrariedades!
       Seguem por outras povoações. Pelo caminho, há pessoas que se aproximam de Jesus, falando em segui-l’O ou respondendo ao Seu chamamento com algumas condições, como sepultar um familiar ou despedir-se da família. A uns e a outros, Jesus responde: «As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça... Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu, vai anunciar o reino de Deus... Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus».
       3 – A prioridade é o seguimento. Por certo que Jesus não menospreza a família e os amigos. Mas nada se pode intrometer entre nós e Jesus.
       Na primeira leitura podemos constatar como Elias consagra Eliseu como Profeta e seu sucessor. Lança sobre ele a sua capa. Todavia dá-lhe tempo para se despedir da família, com festejos. Eliseu andava a lavrar o campo com doze juntas de bois. Conduzia a décima segunda, que abandonou de imediato. Pede então a Elias: «Deixa-me ir abraçar meu pai e minha mãe; depois irei contigo». Elias responde favoravelmente: «Vai e volta, porque eu já fiz o que devia». No final, nada fica por resolver, Eliseu pode partir sem reservas, como nos diz o texto: "Eliseu afastou-se, tomou uma junta de bois e matou-a; com a madeira do arado assou a carne, que deu a comer à sua gente. Depois levantou-se e seguiu Elias, ficando ao seu serviço".
       Seguir Jesus implica que não há outras seguranças que não Ele. Ele é o garante da nossa vida presente e futura. Vale para vocações específicas. Vale para todos os cristãos. É nesta confiança que respondemos à Palavra de Deus com o salmista: "Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio. «Vós sois o meu Deus». Senhor, porção da minha herança e do meu cálice, está nas vossas mãos o meu destino. O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida, alegria plena na vossa presença, delícias eternas à vossa direita".
       O salmo 15 é colocado na boca de um membro da tribo de Levi, que tinha a responsabilidade do Templo e do culto. A terra prometida foi subdividida por onze das doze tribos de Israel. Os membros da tribo de Levi ficaram dependentes das ofertas ao Templo. As outras tribos têm terras para cultivar e criar o gado, a Tribo de Levi tem por Terra o próprio Deus, dependendo das outras tribos e das ofertas que façam chegar ao Templo.

       4 – Seguir Jesus enraíza-nos no mundo, lado a lado como irmãos. O mesmo batismo. A mesma fé. Uma só família de Deus e para Deus. Cristo, diz-nos São Paulo, libertou-nos para a verdadeira liberdade. Esta faz-nos irmãos, para vivermos firmes na fé e na caridade, colocando-nos ao serviço uns dos outros. Isso agrada ao Senhor que veio salvar-nos. Havemos de ter sempre presente o mandamento do Amor, para nos amarmos uns aos outros como a nós mesmos, deixando-nos guiar pelo Espírito Santo. Desta forma não ficaremos prisioneiros da carne mas do Espírito do Senhor.
       O Apóstolo usa palavras fortes, alertando-nos: "Se vós, porém, vos mordeis e devorais mutuamente, tende cuidado, que acabareis por destruir-vos uns aos outros".
       Certos das nossas fragilidades e tentações, peçamos com fé: "Senhor, que pela vossa graça nos tornastes filhos da luz, não permitais que sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas permaneçamos sempre no esplendor da verdade".
       A verdade, por maioria de razão na Bíblia, não é abstrata, mas concretizável na caridade, no serviço aos outros, no compromisso social pela justiça.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (C): 1 Reis 19, 16b. 19-21; Sl 15 (16); Gal 5, 1. 13-18; Lc 9, 51-62.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Solenidade: Nascimento de João Batista - 24 de junho

       1 – "Entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista; e, no entanto, o mais pequeno no Reino do Céu é maior do que ele" (Mt 11, 11). O testemunho dado por Jesus acerca de seu primo João é por demais luminoso. Jesus reconhece e sanciona a vida e a missão de João Batista, apontando-o como referência. Por outro lado, um desafio incontornável: cada um de nós poderá superar o Precursor. Ele vem e está antes de Jesus. Nós somos batizados num batismo de fogo, na água e no Espírito Santo, configurados ao próprio Corpo de Cristo que é a Igreja.
       Fixemo-nos por ora em João Batista, a cujo nome se fixa a missão. Ele é o Batista. Não é a luz, mas vem guiar para a luz, vem "amaciar" o caminho, mergulhando-nos no arrependimento e na disponibilidade para nos convertermos de todo o coração.
       2 – São João Batista é primo de Jesus e nasce cerca de seis meses antes. O seu nascimento dá-se envolto em mistério. É uma esperança para Israel e para a humanidade inteira. Os seus pais, Isabel e Zacarias, eram já de idade avançada. Mas por graça e benevolência de Deus, geraram na velhice. É gerado para além da idade biológica. Os seus pais já passaram a idade fértil. Ou talvez não! Há sempre tempo para nos tornarmos férteis e gerarmos a vida em abundância que nos vem de Deus. 
       Para lá do tempo, anuncia-se um tempo novo, de graça e salvação, de conversão. O seu nascimento é sinal de que se aproximam os novos céus e nova terra. A promessa de Deus começa a cumprir-se. Como em límpida madrugada, em que já se insinua a claridade de um sol radiante, assim o Precursor nos coloca em espera próxima do Messias de Deus.
       João é abençoado desde o seio materno. A ele se adequam as palavras do profeta Isaías: "O Senhor chamou-me desde o ventre materno, disse o meu nome desde o seio de minha mãe. Fez da minha boca uma espada afiada, abrigou-me à sombra da sua mão. Tornou-me semelhante a uma seta aguçada, guardou-me na sua aljava" (primeira leitura).
       Tal como de Jesus, pouco mais se sabe da vida de João Baptista até à idade adulta. São Lucas refere que o menino crescia em robustez, e que se manteve no deserto até ao dia da sua apresentação a Israel: "A mão do Senhor estava com ele. O menino ia crescendo e o seu espírito fortalecia-se. E foi habitar no deserto até ao dia em que se manifestou a Israel".

       3 – As referências à sua missão e ao seu caráter estão amplamente relatadas nos evangelhos e em outros escritos do Novo Testamento. É descrito como um homem rígido, frontal, destemido, coerente, usando uma linguagem ríspida, apocalíptica, ameaçadora, como uma espada bem afiada que corta tudo onde toca.
       Usava trajes simples e pobres, alimentava-se frugalmente, dedicava-se à pregação e ao batismo de penitência. Alguns julgaram-no o Messias esperado, mas a todos foi respondendo que estava para chegar Alguém maior: "Prestes a terminar a sua carreira, João dizia: «Eu não sou quem julgais; mas depois de mim, vai chegar Alguém, a quem eu não sou digno de desatar as sandálias dos seus pés»" (segunda leitura).
       Desta forma, afirma-se pela humildade e pelo despojamento. Poderia canalizar o sucesso que granjeou em seu benefício pessoal. Mas não o faz. Aponta para diante. Para Outro.
       Vai para as margens, para fora da tenda de Israel, para o deserto e a partir daí retoma a caminhada para a terra prometida, a partir do exterior, vislumbrando a Promessa que se vai cumprir no Messias. Obriga as populações a saírem do seu espaço de conforto. As suas palavras desinstalam, provocam, dividem, geram conflito ou pelo menos incómodo. Não contemporiza. Não se lhe augura nada de bom!
       Denuncia injustiças, nomeadamente daqueles que estavam no poder. Herodes manda prendê-lo, mas João não deixa de o criticar. Herodes vivia com a mulher do seu irmão Filipe, Herodíades. Esta pedirá a cabeça de João. E assim ele morrerá decapitado. A persistência na denúncia custa-lhe a vida.

       4 – Há ainda outras facetas na vida de João Batista. Salientaríamos a ALEGRIA que leva ao testemunho. Um homem que se torna demasiado sério e virulento, mas cuja fonte é Jesus Cristo e a verdade. Já no seio materno, o Precursor transparece ALEGRIA no encontro com Jesus. "Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio" (Lc 1, 44).
       É Isabel, sua mãe, que expressa o júbilo daquele primeiro encontro, intrauterino, como que a dizer que mesmo no seio materno Jesus e João fazem acontecer o mistério de Deus no mundo. Ventres abençoados pelo Amor de Deus que neles opera e realiza maravilha em favor de todo o povo. 
       Um dia será o próprio João Batista a dar testemunho de Jesus num encontro carregado de simbolismo e iluminado com a presença amorosa de Deus, pelo mesmo Espírito de Amor: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! É Aquele de quem eu disse: ‘Depois de mim vem um homem que me passou à frente, porque existia antes de mim.’… Vi o Espírito que descia do céu como uma pomba e permanecia sobre Ele… Pois bem: eu vi e dou testemunho de que este é o Filho de Deus» (Jo 1, 19-34).
       Destarte, a passagem de testemunho, a missão de João Batista logo dará lugar à missão de Jesus Cristo.

       5 – O nascimento é uma promessa que transborda de alegria e de esperança. João Batista cumpre a sua vida e coroa-a como oblação. Jesus, por sua vez, na prossecução da vontade de Deus Pai, leva a Sua vida, como oferta, até ao fim. O nascimento abre-nos um mundo de possibilidades. Poderemos inserir-nos no Reino de Deus, para nos tornamos grandes aos olhos de Deus Pai, uma vez que já o somos pelo batismo, cabe-nos “gastar” a vida em lógica de oblação, de entrega, semeando a verdade e o bem, alimentando-nos do Espírito de Deus e produzindo n’Ele frutos de santidade, pela caridade e pelo compromisso com as pessoas que Ele colocou para caminharem connosco.

Textos para a Eucaristia: Is 49,1-6; Atos 13,22-26; Lc 1,57-66.80. 

quinta-feira, 23 de junho de 2016

No Reino dos Céus quem fizer a vontade do Pai!

       Disse Jesus aos seus discípulos: «Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus. Muitos Me dirão no dia do Juízo: ‘Senhor, não foi em teu nome que profetizámos e em teu nome que expulsámos demónios e em teu nome que fizemos tantos milagres?’. Então lhes direi bem alto: ‘Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade’. Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se e foi grande a sua ruína». Quando Jesus acabou de falar, a multidão estava admirada com a sua doutrina, porque a ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas (Mt 7, 21-29).
       Sermão da Montanha.
       Depois das Bem-aventuranças, o ensino da Oração do Pai-nosso, desafio a sermos sal e luz para o mundo, a não nos deixarmos iludir com os falsos profetas, aí ressoa a voz de Jesus. Neste tempo de dúvidas e incertezas, e eis que as Suas palavras ecoam nos nossos ouvidos e na nossa alma. Está quase a despedir-nos e a enviar-nos de volta ao mundo real e concreto. Antes, dá-nos os instrumentos para que possamos ser verdadeiramente Seus discípulos, lembrando-nos quão importante e essencial é a fé. Mas não uma fé qualquer, a fé em Deus que é Pai e nos criou por amor e nos chama à felicidade, nesta e na vida futura, em estreita ligação com os outros. Uma fé que nos liga à vida presente e que nos compromete com a sociedade actual, com o nosso semelhante, que tal como nós, tem as marcas de pertença a Deus e a quem devemos acolher, respeitar, amar, proteger, de quem devemos cuidar. Somos responsáveis uns pelos outros.
       São inequívocas as palavras de Jesus, não basta que tenhamos boas intenções e que até tenhamos o nome de cristãos, é necessário que a identidade nos leve à prática do bem, das boas obras, isto é, ao cumprimento da vontade de Deus que quer que todos se salvem e tenham a vida em abundância.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Acautelai-vos dos falsos profetas

       Disse Jesus aos seus discípulos: "Acautelai-vos dos falsos profetas, que andam vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes. Pelos frutos os conhecereis. Poderão colher-se uvas dos espinheiros ou figos dos cardos? Assim, toda a árvore boa dá bons frutos e toda a árvore má dá maus frutos. Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má dar bons frutos. Toda a árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Portanto, pelos frutos os conhecereis" (Mt 7, 15-20).
       Temos vindo a meditar nos textos do Evangelho de São Mateus, nos quais Jesus se dirige directamente aos discípulos, onde também nos incluímos para este tempo. São interpelações para que vivamos com alegria, despojamento, generosidade, connosco e com os demais, com humildade abrindo o nosso coração à vida, firmes na fé e na esperança em Deus, confiantes de que Ele não nos falta, comprometidos com o mundo em que vivemos. Somos portadores da imagem e semelhança de Deus, para estabelecer na terra a capacidade de amar, de constituir uma só família para Deus, assumindo-nos como irmãos em Jesus Cristo.
      De boas intenções está o cemitério cheio. Esta expressão muito popular vem ao encontro das palavras de Jesus Cristo. Obviamente, que propósitos positivos e justos devem ser valorizados, mas sobretudo quando levam a pessoa a uma conduta social e fraterna. As palavras são importantes, quando brotam da alam, mas a verdadeira prova está na vida.
       A imagem de Jesus é expressiva: a árvore vê-se pelos frutos. Como é que se pode dizer que uma árvore é boa se não dá frutos ou se os seus frutos são intragáveis?! Assim com cada pessoa, assim com os profetas: os verdadeiros são coerentes, as palavras expressam-se nas obras. Ao invés, os falsos profetas dizem apenas para os outros e não fazem.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Encerramento da Catequese e Festa do Compromisso

       No dia 18 de junho, sábado, a comunidade participou na última das Festas da Catequese, do ano pastoral que decorre, 2015-2016, a Celebração do Compromisso, com os adolescentes do 9º ano da catequese. Foi também a ocasião para o Encerramento da Catequese Paroquial, ainda que falte o corolário da catequese de crianças e adolescentes que é a celebração do Crisma, marcado para o dia 16 de julho.
       Depois dos ensaios corais, o habitual horário da catequese foi preenchido por um tempo de descontracção e de convívio, com um pequeno lanche, preparado pelas Catequistas. Durante a Eucaristia, a celebração do Compromisso, com alguns gestos, simples mas significativos. No início, a colocação das Virtudes Teologais - Fé, Esperança e Caridade - , com uma breve explicação, sendo entregue, no final da Eucaristia, um cartão com as mesmas e sua explicação a cada pessoa presente. O Credo utilizado foi o batismal, prosseguindo com o compromisso dos adolescentes:
Celebrante: Amigos, é com muita alegria que vos aceito e a comunidade cristão vos recebe. Pergunto-vos agora: Quereis continuar a descobrir e a conhecer Jesus Cristo como Sentido de Vida, único e verdadeiro?
Adolescentes – Sim, quero!
Estais dispostos a contruir a vossa vida segundo os critérios do Evangelho e a testemunhar o Amor que Jesus vos tem, na vossa família, na escola e junto dos vossos amigos?
Adolescentes – Sim, estou!
E quereis comprometer-vos na renovação e construção da nossa comunidade paroquial, para assim serdes cada vez mais “pedras vivas” do Templo do Senhor?
Adolescentes – Sim, quero!
Damos graças a Deus por vós. Animados pelo Espírito de Deus, continuai nesse esforço de encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo e deixai-vos conduzir por Ele, na fidelidade e na esperança. Quereis comprometer-vos com Jesus Cristo?
Adolescentes – Sim, quero!
No Ofertório, alguns gestos que apontam para o Compromisso:
CAJADO: Esta cajado simboliza o nosso compromisso de seguirmos Jesus vivo que é para nós o Caminho, a Verdade e a Vida em abundância.
3 JOVENS ABRAÇADOS: Estes três jovens (adolescentes) reunidos num único abraço, recorda-nos o mistério da Santíssima Trindade. É sinal do nosso desejo de termos como programa de vida: vivermos unidos num grande amor.
TAÇA COM SAL: Este sal simboliza o nosso empenho em ser como o sal evangélico, mostrando como se pode viver com sabor, com alegria e com Deus que é Amor.
VELA ACESA: Esta luz simboliza o nosso empenho em ser como uma luz evangélica, iluminando as realidades terrestres com a luz que vem do Evangelho.
No momento de Ação de Graças, o poema Pegadas na Areia (Veja a propósito como nasceu este POEMA: AQUI)

Algumas fotos desta celebração:

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Cruz da Evangelização das JMJ em Tabuaço

       Nas segundas Jornadas Mundiais da Juventude, em 1987, na Argentina do atual Papa, em Buenos Aires, o Papa João Paulo II entregou 5 Cruzes da Evangelização aos jovens, para que fossem levadas para os 5 continentes, com a mensagem: “Envio-vos! Jovens, evangelizai os jovens com esta cruz da evangelização”.

       Existe a CRUZ que é conhecida como a "Cruz da Jornada Mundial da Juventude", fabricada 1983, para o Ano Santo da Redenção (25.03.1983 – 22.04.1984). Na abertura do Ano Santo, os jovens entraram com a Cruz na Basílica de São Pedro, onde permaneceu todo o Jubileu. Foi colocada junto ao sepulcro de São Pedro e estava presente nas celebrações acompanhando os grupos de peregrinos que visitavam o Vaticano. Representantes de movimentos de jovens, solicitaram ao Papa que lhes entregasse a Cruz. João Paulo II entregou-lhes a Cruz da Jornada Mundial no Domingo de Páscoa (1984), com a seguintes palavras: "Confio-vos o sinal deste ano Jubilar. A Cruz de Cristo! Levada pelo mundo como sinal do amor do Senhor à humanidade e anuncia que somente em Cristo morto e ressuscitado existe salvação e redenção".
No ano de 1987, na Jornada Mundial em Buenos Aires, a Cruz saiu pela primeira vez da Europa e já percorreu todos os continentes. Já esteve em Portugal, percorrendo as Dioceses portugueses, tendo estado também na Diocese de Lamego. Antes da JMJ em Madrid (2011) esteve em Portugal, entre 9 e 19 de agosto de 2010.
Desde 14 de abril de 2014, a Cruz e o ícone da Virgem Salus Populi Romani têm percorrido as dioceses da Polónia, onde se realizará a próxima Jornada Mundial, centrando-se sobretudo em Cracóvia. A Cruz anuncia e ajuda a preparar a Jornada Mundial.

       A cruz da Europa foi entregue a Portugal. Esta cruz revela um simbolismo intenso por ser a cruz da primeira jornada fora de Roma e por ter sido entregue a Portugal. Essa cruz quando chegou a Portugal esteve em peregrinação por quase todas as dioceses do país, avançando para Espanha.Se a Cruz das Jornadas Mundiais percorre a Polónia, a Cruz da Evangelização, confiada ao continente europeu, está a percorrer as dioceses portuguesas. Entre 13 de 19 de junho, esteve na Diocese de Lamego.
       A paróquia de Tabuaço recebeu-a no passado dia 17 de junho, durante a Eucaristia semanal, com a presença do Grupo de Jovens, promovendo, à noite, uma Vigília de Oração, coordenada pelo Anthony. A Cruz marcou presença ainda na Missa da tarde de sábado, 18 de junho, com o Grupo de Jovens a confiá-la à Paróquia de Almacave, onde participaram também na Eucaristia.

       Algumas imagens:
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